A empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), na Zona Sul, acumula um prejuízo anual estimado em 4,5 milhões de dólares norte-americanos.

As perdas resultam da política de subsídio ao transporte ferroviário de passageiros nas linhas do Limpopo, Goba e Ressano Garcia, onde a empresa suporta cerca de 85% do custo das passagens.

Em entrevista concedida à Agência de Informação de Moçambique (AIM), o director do CFM Sul, Emídio Bata, esclareceu que o valor pago pelos passageiros cobre apenas 15% do custo real do serviço, sendo o restante suportado pela empresa no âmbito da sua responsabilidade social.

A fonte sublinhou que o transporte ferroviário de passageiros em Moçambique deve ser entendido como uma contribuição social e não como uma actividade orientada para o lucro.

“Não olhamos para o lucro. Então, de facto, é um prejuízo enorme para todo o sistema ferroviário do Sul”, afirmou em declarações à AIM.

Bata referiu ainda que a tarifa actualmente cobrada não chega sequer a cobrir os custos do combustível, mas sublinhou que a empresa considera essencial manter o serviço, tendo em conta o seu impacto social e o contributo para reduzir as dificuldades enfrentadas pela população.

Na mesma entrevista, o responsável disse que, nos últimos tempos, a procura pelo transporte ferroviário de passageiros tem vindo a crescer, obrigando a empresa a redobrar esforços para responder à demanda e contribuir para aliviar os problemas de mobilidade de milhares de cidadãos que recorrem diariamente ao serviço.

Segundo o director, o sistema ferroviário do Sul opera comboios nas linhas do Limpopo, Ressano Garcia e Goba, incluindo serviços que terminam em pontos intermédios como Manhiça, Matola-Gare, Boane e Marracuene, no quadro das acções destinadas a melhorar a mobilidade urbana e rural.

“Por exemplo, um comboio para Magude custa à volta de 400 mil meticais. Para além do serviço de longo curso, o CFM assegura igualmente ligações interurbanas, conectando a cidade de Maputo a Matola-Gare, Boane e Marracuene, garantindo assim a circulação de milhares de pessoas e bens”, salientou.

Noutras regiões do país, o transporte ferroviário de passageiros também se mantém activo. Na região Centro, o CFM opera comboios entre a cidade da Beira e a vila de Moatize, bem como entre a Beira e a vila fronteiriça de Machipanda, nas linhas de Sena e Machipanda, respectivamente.

Já na região Norte, o transporte de passageiros é assegurado pela concessionária Corredor de Desenvolvimento do Norte (CDN), que opera nas rotas Nacala-Cuamba, Cuamba-Lichinga e Cuamba-Entre Lagos.

Bata afirmou que a empresa continua empenhada em melhorar a qualidade do serviço, apesar do peso financeiro da operação.

“O nosso compromisso e desafio é procurar formas de alocar mais meios para que possamos realizar este serviço essencial para a população com a necessária comodidade, segurança e eficiência. Trata-se de um desafio complexo face aos crescentes custos que esta operação acarreta, mas não nos devemos furtar da nossa responsabilidade neste domínio de serviço público”, vincou.

O responsável referiu ainda que, nos últimos dois anos, o CFM tem realizado investimentos significativos na modernização do sistema ferroviário, com destaque para a aquisição de novos equipamentos destinados a melhorar o transporte de pessoas e bens.

Entre os projectos em curso destaca-se a aquisição de quatro locomotivas, destinada a aumentar a capacidade de tracção no transporte de carga e passageiros nas três regiões do país, num investimento avaliado em oito milhões de dólares.

A empresa adquiriu igualmente 10 locomotivas para o CFM Sul, no âmbito de um contrato avaliado em 34,49 milhões de dólares, com vista a reforçar a capacidade operacional das linhas da região.