O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, lançou duras críticas à atuação do Executivo face à recente crise de abastecimento e à subida de preços dos combustíveis. Para Simango, o país enfrenta não só um problema logístico, mas uma crise de verdade e de gestão fiscal.
O "Choque" com a Comunicação Oficial
Simango expressou indignação com o contraste entre o discurso oficial e a realidade das bombas de combustível:
Falta de Transparência: O líder do MDM afirmou estar chocado por o Governo ter emitido comunicados tranquilizadores enquanto os cidadãos enfrentam escassez real no mercado.
Incapacidade de Mitigação: Segundo o político, as falhas de comunicação denunciam uma incapacidade profunda do Governo em prever e resolver o problema antes que ele afete o consumidor final.
Propostas: Redução do IVA vs. Subida de Preços
Contrário ao aumento das tarifas, Simango sugere uma alternativa para aliviar o bolso dos moçambicanos:
Engenharia Financeira: Em vez de repassar os custos para o cidadão, o MDM defende a redução do IVA na comercialização dos combustíveis.
Justiça para o Utente: Criticou as limitações de abastecimento nos postos (racionamento), considerando a medida injusta para quem depende do combustível para trabalhar e circular.
Injustiça Social e Regalias de Estado
Durante a sua passagem por Chongoene, Simango alargou as críticas à estrutura de gastos do Estado:
Privilégios de Ex-Presidentes: O líder da terceira maior força política classificou as elevadas regalias concedidas a antigos chefes de Estado como uma "injustiça", especialmente num país onde milhões vivem abaixo da linha da pobreza.
Contrasto Social: Para o político, o Governo mantém gastos luxuosos enquanto pede sacrifícios à população e lida com carências básicas no setor da educação e alimentação.
As declarações foram feitas num momento de solidariedade, onde Simango procedeu à entrega de bens alimentares e material escolar ao Instituto de Gestão do Risco de Desastres (INGD), reforçando a mensagem de que as prioridades do Estado devem ser invertidas.