O Presidente do Conselho Municipal de Maputo, Razaque Manhique, enfrenta a justiça nesta terça-feira (21) no Tribunal do Distrito Municipal KaMavota. O caso não é apenas uma disputa administrativa, mas um drama jurídico que se arrasta desde 1997 e envolve acusações graves de desobediência e corrupção.

            O Foco do Conflito: Costa do Sol

O centro da disputa é um terreno de luxo com mais de 1.500 metros quadrados localizado na zona da Costa do Sol.

  • O Projeto: Está prevista a construção de um edifício de 14 andares, com fins habitacionais e comerciais.

  • O Problema: O cidadão Florentino Gilberto Manejo tenta, há décadas, obter o Título de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), sem sucesso.

                As Acusações: Desobediência e Corrupção

A queixa que levou o Edil ao tribunal sustenta-se em dois pilares principais:

  1. Desobediência Judicial: A acusação afirma que o Município ignorou repetidamente ordens do tribunal e pareceres da Procuradoria da República que obrigavam a emissão do DUAT. O descumprimento de prazos legais é visto como uma violação do princípio constitucional de que as decisões judiciais são obrigatórias para todos.

  2. Tentativa de Extorsão: O denunciante alega que funcionários da edilidade pediram 70 mil dólares para "destravar" o processo. Manejo afirma ter recusado pagar o suborno, optando pela via judicial.


                       O Histórico do Caso

Este imbróglio começou há cerca de 29 anos. Ao longo do tempo:

  • O Município chegou a mover processos contra Florentino Manejo, mas todos foram arquivados por falta de provas.

  • A Procuradoria da República já havia intercedido, solicitando a regularização da parcela, pedido que também não foi acatado pela gestão municipal.

                       O Que Está em Jogo?

O julgamento sumário que iniciou hoje às 9h30 é visto como um marco para a governação de Razaque Manhique. O desfecho poderá:

  • Obrigar a emissão imediata do DUAT.

  • Responsabilizar criminalmente os gestores públicos envolvidos.

  • Abrir um precedente sobre como a justiça lida com a resistência de instituições públicas em cumprir sentenças.

Resumo da Situação: O tribunal decidirá se a postura do Conselho Municipal foi uma falha administrativa ou um crime deliberado de desobediência à autoridade judicial moçambicana.