O setor da educação em Moçambique enfrenta uma nova escalada de tensão. A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) emitiu um comunicado contundente esta semana, negando as recentes declarações do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Enquanto o Governo afirma ter liquidado as dívidas de 2023, a agremiação docente fala em "silenciamento" e dívidas que se arrastam desde 2021.
O Choque de Narrativas: MEC vs. ANAPRO
O conflito de informações centraliza-se na regularização das horas extraordinárias:
A Versão do Governo: O porta-voz do MEC declarou ao Jornal Notícias (22/04/2026) que o pagamento de 2023 foi integral e que os valores de 2026 estão a ser pagos regularmente.
A Versão da ANAPRO: Classifica as declarações como falsas. Segundo a associação, o "apagão" financeiro afeta milhares de professores e estende-se por um período de seis anos (2021-2026).
Mapa das Dívidas (Segundo a ANAPRO)
A associação detalhou os pontos críticos onde o dinheiro ainda não chegou ao bolso dos educadores:
2021: Dívidas em quase todos os distritos de Manica (incluindo Chimoio, Sussundenga e Guro).
2022: Pendentes na Zambézia (Alto-Molócuè), Cabo Delgado e Niassa.
2023: Em Nampula, apenas 11 dos 23 distritos receberam pagamentos, e ainda assim de forma parcial. Há dívidas em Maputo, Gaza e Cabo Delgado.
2024 a 2026: Pagamentos não iniciados ou aguardando fórmulas de validação que ainda não foram aprovadas.
Denúncias de Repressão e Transferências Punitivas
Um dos pontos mais graves do comunicado refere-se a alegadas represálias contra quem reclama:
Massinga (Inhambane): Professores da Escola Secundária Maria da Luz Guebuza teriam sido transferidos compulsivamente após reivindicarem os seus direitos.
Maputo: Na Escola Secundária da Unidade 2, professores foram alvo de ações semelhantes, com dois docentes sendo encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) como forma de intimidação.
As Exigências da ANAPRO
Para resolver o impasse, a associação exige transparência e intervenção externa:
Transparência Total: Publicação de um mapa detalhado de pagamentos por distrito.
Investigação Independente: Intervenção do Provedor de Justiça e da Assembleia da República para apurar as transferências punitivas.
Ação Judicial: O dossiê de provas (folhas de horas assinadas) será entregue à PGR e aos parceiros internacionais de cooperação.
"Milhares de professores trabalharam, não receberam e, agora, são silenciados", afirma a ANAPRO, reiterando que a estabilidade do ano letivo depende da verdade e do cumprimento das obrigações do Estado.


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