O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, lançou um aviso dramático nesta segunda-feira (18), em Paris, que colocou os mercados mundiais em estado de choque. As reservas comerciais de petróleo acumuladas antes da crise no Médio Oriente estão a baixar de forma drástica e correm o risco de se esgotar dentro de poucas semanas.

O grande culpado por este cenário de asfixia económica é o bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital por onde passa cerca de 20% do fluxo global de crude. Com o canal fechado, o mundo está a consumir as suas "almofadas" de armazenamento de emergência a um ritmo recorde.

⏱️ O Relógio Está a Correr: Dias ou Semanas?

Questionado sobre o momento exato do colapso, Birol foi categórico à margem da reunião dos ministros das Finanças do G7: ainda restam várias semanas, mas o declínio é extremamente rápido. Se o impasse diplomático e militar na região se estender para além do mês de junho, o mercado internacional enfrentará um défice diário severo e sem precedentes.

Mozinfo O Efeito de Ricochete em Moçambique
Por depender totalmente da importação de produtos refinados (como o gasóleo e a gasolina), Moçambique está na linha de frente dos países mais vulneráveis a este choque. O impacto no país deverá seguir uma reação em cadeia:

  1. Explosão de Preços Internacionais: O esgotamento dos stocks vai encarecer dramaticamente o custo de importação do crude.

  2. Disparo nos Combustíveis Locais: Esta subida vai refletir-se diretamente nos preços à bomba para os cidadãos moçambicanos.

  3. Agravamento do Custo de Vida: Com os transportes mais caros, o preço dos produtos básicos e da alimentação vai disparar no mercado nacional.

  4. Guerra Logística por Navios: O país enfrentará sérios desafios para conseguir garantir o fornecimento de navios petroleiros, devido à concorrência feroz das superpotências antes do ponto de rutura crítico.O que deve ser feito

A AIE e especialistas alertam que o Governo moçambicano e as gasolineiras que operam no país devem manter uma monitorização minuciosa e em tempo real do mercado internacional. O objetivo é desenhar estratégias de contingência imediatas para mitigar os choques e evitar o desabastecimento interno de combustíveis