O que começou como uma superstição sem fundamento transformou-se numa crise humanitária e de segurança nacional. O Governo de Moçambique, através do Ministro do Interior, Paulo Chachine, lançou um alerta vermelho após uma onda de linchamentos motivada por notícias falsas atingir proporções catastróficas.

 O Balanço da Tragédia

O cenário apresentado pelas autoridades é devastador e revela a velocidade com que o pânico se espalhou:

  • 39 Vítimas Mortais: Cidadãos inocentes que perderam a vida em atos de "justiça popular".

  • 74 Feridos: Pessoas com danos físicos graves e ligeiros resultantes de agressões coletivas.

  • 93 Casos Registados: Incidentes diretamente ligados à propagação de boatos desde o dia 18 de abril.

 A Origem do Pânico: O Mito do "Toque que Atrofia"

O fenómeno teve início na província de Cabo Delgado e baseia-se numa narrativa surreal: a crença de que o simples toque físico de desconhecidos causaria o atrofiamento imediato dos órgãos genitais masculinos.

  • O Alvo: Estranhos e pessoas que circulam fora das suas comunidades tornaram-se alvos preferenciais.

  • A Consequência: O medo irracional anulou o discernimento, levando comunidades inteiras a atacar indivíduos sem qualquer prova ou fundamento.

 A Resposta de "Mão Dura" do Governo

Durante um discurso em Nhamatanda (Sofala), o Ministro Paulo Chachine foi taxativo:

  1. Ameaça à Estabilidade: A desinformação não é apenas um problema social, mas uma ameaça direta à segurança do Estado.

  2. Ordem de Tolerância Zero: As forças policiais receberam instruções para agir com máxima firmeza contra quem difunde notícias falsas que promovam o pânico.

  3. Vigilância Comunitária: O Governo apela a uma aliança entre líderes locais, estruturas administrativas e a sociedade civil para desmistificar estas crenças e travar a violência.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) permanece em estado de prontidão. O foco agora é duplo: travar novos linchamentos e caçar os mentores destas narrativas que estão a destruir a harmonia social e a colocar em risco a vida de moçambicanos e estrangeiros.