Política

CASSAETADA NA POLÍTICA: Debate eleitoral vira “barraco” com acusação de leis copiadas e falta de QI

Durante a Conferência Nacional de Integridade do CIP, o professor Domingos Rosário fez duras críticas à atual Lei Eleitoral moçambicana. Segundo ele, a legislação foi criada há mais de 40 anos num contexto de negociações de paz entre a FRELIMO e a RENAMO e já não serve para o país. Rosário afirmou que o texto atual é sustentado por mais de 50 "remendos" e defendeu a criação urgente de um código totalmente novo.

Deputados acriticamente acusados de "copiar"

O académico subiu o tom ao afirmar que o parlamento moçambicano não produz leis de raiz, limitando-se a plagiar outras realidades:

"A legislação deste país é copiada, toda ela copiada... Eles não fazem nada, copiam leis."

Além disso, Rosário sobrou até para os seus próprios pares, afirmando que Moçambique não tem uma academia real por falta de investigação científica, classificando muitos professores de "charlatães".

 A resposta e o contra-ataque da RENAMO

José Manteigas, deputado veterano da RENAMO há mais de duas décadas, reagiu com firmeza. Ele classificou a análise de Rosário como parcial e "pouco académica". Usando o mesmo veneno do professor, Manteigas questionou a utilidade dos intelectuais no país:

"A mesma pergunta que faz aos deputados, também nós podemos fazer: o que fazem os nossos académicos? O país tem estado em alvoroço em vários momentos, o que fazem os académicos?"

 O clima azeda: "QI acima de zero" e denúncia de segredo

Longe de recuar, Domingos Rosário voltou à carga com declarações ainda mais agressivas, disparando que "qualquer um com um QI acima de zero sabe que o nosso parlamento não constrói leis".

Para fechar, o académico lançou uma denúncia grave: a de que as últimas alterações à legislação eleitoral, feitas em 2024, foram aprovadas em segredo, gerando contradições profundas que deixam os agentes eleitorais sem saber que normas seguir no terreno.

 O Cenário Atual: O embate na conferência do CIP deixou evidente o clima de profunda desconfiança mútua entre a sociedade civil/academia e a classe política tradicional, numa altura em que o debate sobre a transparência do sistema eleitoral promete continuar ao rubro.