Numa radiografia dura sobre a situação atual de Moçambique, o diretor do Centro de Integridade Pública (CIP), Edson Cortez, afirmou que o atual Governo herdou um país completamente destruído. Cortez validou o diagnóstico do Banco Mundial de que os dez anos da governação de Filipe Nyusi representaram uma "década perdida", cujo descalabro financeiro começou a ser desenhado ainda no mandato de Armando Guebuza com as "dívidas ocultas" e parcerias público-privadas ruinosas.
Segundo o diretor do CIP, os últimos anos foram marcados por:
Colapso financeiro: Gestão péssima das finanças públicas e fim do apoio direto ao Orçamento do Estado por parte dos doadores.
Asfixia cívica: Tentativas sistemáticas de fechamento do espaço de cidadania.
Insegurança económica: Consolidação de uma economia política baseada em raptos e fortes entraves ao empresariado nacional e estrangeiro.
Crise profunda de legitimidade e silêncio presidencial
A análise ao primeiro ano de governação de Daniel Chapo foi ainda mais incisiva. Edson Cortez defendeu que o atual Chefe de Estado enfrenta um grave problema de aceitação pública, argumentando que a população não o reconhece como um líder legítimo.
"Daniel Chapo chega ao poder num contexto de falta de legitimidade. As pessoas não o veem como Presidente legítimo de Moçambique, porque não ganhou as últimas eleições, foi nomeado Presidente da República num contexto sangrento."
O balanço trágico das manifestações
O líder da organização da sociedade civil criticou severamente a postura de Chapo face à violência pós-eleitoral, sublinhando que, até ao momento, o Presidente não pediu desculpas formais à nação pela atuação das forças policiais lideradas pelo seu partido. Cortez relembrou o custo humano da crise política, apontando para um balanço trágico de mais de 400 mortos durante as manifestações populares.
O Cenário: Para o CIP, as promessas de "novos ares" com a mudança de Governo não passaram de uma utopia, restando a Daniel Chapo o desafio hercúleo de gerir um país fraturado socialmente e desacreditado perante os seus próprios cidadãos.