Acusações de Manipulação Contra António Muchanga

O delegado político provincial da Renamo na Zambézia, Inácio Reis, acusou publicamente António Muchanga (membro recentemente expulso do partido) de manipular a opinião pública. Segundo Reis, Muchanga tem aproveitado a sua influência mediática para promover narrativas falsas que visam criar divisões e desacreditar a actual liderança da Renamo.

O Contexto e a Contestação Estatutária

Em conferência de imprensa realizada na cidade de Quelimane, Inácio Reis rebateu as recentes declarações de Muchanga, que afirmava que Ossufo Momade não deveria ter assumido a liderança do partido após a morte de Afonso Dhlakama.

  • O argumento técnico: O delegado esclareceu que a tese de Muchanga não tem qualquer fundamento jurídico-partidário, assegurando que não existe nenhum artigo nos estatutos da Renamo que determine que o cargo de presidente vago deve ser assumido pelo presidente da Mesa do Conselho Nacional.

Apoio das Bases e Divisão no Terreno

Reis defendeu a total legitimidade de Ossufo Momade, afirmando que o líder mantém o apoio das bases na Zambézia. Para sustentar a afirmação, revelou que brigadas provinciais visitaram recentemente vários distritos e concluíram que a maioria das estruturas continua fiel a Momade. O dirigente minimizou os focos de contestação na província, classificando-os como "grupos isolados" influenciados por indivíduos interessados em desestabilizar o partido.

Detalhe Crucial: Conferência à Porta Fechada (Literalmente)

Apesar do discurso de união e controlo por parte do delegado político, a conferência de imprensa trouxe um dado que evidencia a profunda crise na região: o encontro com os jornalistas teve de ser realizado fora das instalações da Delegação Provincial da Renamo. O edifício encontra-se, actualmente, sob o controlo físico e político da ala contestatária, que exige abertamente a demissão imediata de Ossufo Momade.