O clima de volatilidade e tensão social na África do Sul registou um novo e violento capítulo. O movimento de contestação civil "March and March" confirmou esta segunda-feira, 13 de Julho, a morte de um dos seus principais líderes regionais, Andile Mvuyelwa Somgxada, vítima de uma emboscada armada à saída da sua residência em Greenfields, Ekurhuleni (periferia de Joanesburgo).

O ataque ocorreu no passado dia 4 de Julho. Somgxada foi baleado várias vezes e socorrido em estado grave para uma unidade hospitalar, onde permaneceu cinco dias nos cuidados intensivos. O óbito acabou por ser declarado na passada quinta-feira, 9 de Julho.

 O choque com as "Máfias de Extorsão"

A liderança do "March and March" — organização que ganhou forte mediatismo ao impor o recente e controverso ultimato de 30 de Junho contra a imigração ilegal — recusa a tese de crime comum. O porta-voz do movimento, Sandile Dube, vinculou diretamente o assassinato à atuação de redes criminosas organizadas.

De acordo com as denúncias, os ativistas do movimento vinham a receber ameaças de morte sistemáticas por estarem a colidir com os interesses financeiros de máfias que cobram "taxas de proteção" ilegais a cidadãos estrangeiros indocumentados que gerem negócios informais (spaza shops) nas periferias.

 O pânico alastra-se às zonas de fronteira

A execução de Somgxada acendeu o rastilho do medo e o sentimento de insegurança já se espalhou por várias províncias da África do Sul:

  • Pretória (Tshwane): Representantes locais receberam mensagens intimidatórias logo após uma marcha em Mamelodi.

  • Durban (KwaZulu-Natal): Relatos de coação contra ativistas no bairro de Umlazi.

  • Mpumalanga: Ameaças reportadas nesta província que faz fronteira direta com Moçambique, gerando forte apreensão junto das comunidades de trabalhadores migrantes da SADC que ali residem.

 O Alerta: Perante o risco iminente de retaliação, a direção do "March and March" exigiu uma investigação célere ao pelouro da polícia (SAPS). O movimento adverte que a impunidade neste caso poderá inflamar as bases e desencadear uma nova espiral de confrontos previsíveis e violência descontrolada no seio das comunidades.