O ambiente na África do Sul permanece em banho-maria, com o governo a reforçar a segurança pública e a mobilizar tropas para travar incidentes e travar atos de violência, vandalismo ou xenofobia. No centro do debate sobre a nova crise migratória e os protestos que abalam o país vizinho, duas figuras de peso da política regional apresentam diagnósticos completamente opostos:

  • A visão de Venâncio Mondlane: O líder da ANAMOLA aponta o dedo diretamente para dentro do continente. Para Mondlane, a culpa do fluxo migratório em massa e das tensões sociais na África do Sul é dos próprios dirigentes africanos, devido à fragilidade das suas políticas internas e à incapacidade de dar respostas eficazes às populações nos seus países de origem.

  • A visão de Thabo Mbeki: O antigo Presidente sul-africano desconfia do caráter popular das manifestações. Mbeki defende que os protestos não são espontâneos e sugere que existe uma organização oculta por trás das mobilizações, levantando suspeitas sobre interesses coordenados, quer internos, quer externos.

 O Impasse: Enquanto os políticos discutem se a crise é fruto do mau governo local ou de sabotagem externa, a tensão no terreno cresce, deixando milhares de migrantes no fogo cruzado e pressionando Pretória a manter a ordem pública à força.