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Moçambique prepara primeiro leilão internacional de gemas no Aeroporto de Nacala

 

Governo quer transformar o país num novo centro internacional de comercialização de pedras preciosas e espera que o leilão dinamize turismo, hotelaria, transporte e outros sectores da economia.

Moçambique prepara-se para realizar, pela primeira vez, um leilão internacional de gemas, numa iniciativa do Governo que pretende transformar o país num destino de referência para a comercialização de pedras preciosas e outros recursos minerais.Moçambique leilão de gemas, leilão internacional de gemas, pedras preciosas Moçambique, INAMI, Aeroporto de Nacala, recursos minerais de Moçambique, mineração em Moçambique, gemas de Moçambique, Olavo Deniasse, exportação de pedras preciosas, economia de Moçambique, turismo e mineração.

O anúncio foi feito pelo director-geral do Instituto Nacional de Minas (INAMI), Olavo Deniasse, que considera a iniciativa um primeiro passo para criar no país uma plataforma capaz de atrair compradores internacionais e, progressivamente, aumentar o número de leilões realizados em território nacional.

Segundo o responsável, o Governo não pretende, numa primeira fase, substituir os certames que actualmente são realizados no estrangeiro. A estratégia passa por começar de forma gradual, testar o modelo e conquistar a confiança dos compradores, titulares de licenças mineiras e organizadores internacionais.

“Não estamos com este exercício de leilão a impedir ou fechar os leilões que acontecem fora. É um processo que acontece aos poucos. Temos de começar, aprender com o processo e ganhar a confiança das pessoas que participam dos leilões”, afirmou Olavo Deniasse.

Aeroporto de Nacala será palco do leilão

O primeiro leilão será realizado nas instalações do Aeroporto Internacional de Nacala, uma escolha que, segundo o INAMI, está relacionada com questões de segurança e com a necessidade de facilitar a movimentação internacional das gemas adquiridas pelos compradores.

A localização poderá permitir maior controlo sobre a entrada e saída dos participantes e das pedras comercializadas, além de facilitar a ligação entre compradores internacionais e os mercados de origem das gemas.

A aposta representa também uma tentativa de criar uma estrutura nacional para uma actividade que, até agora, tem sido desenvolvida em grande medida fora de Moçambique.

Governo quer atrair compradores internacionais

Para o INAMI, o sucesso do primeiro evento será determinante para criar confiança no mercado internacional.

A expectativa é que compradores, investidores e operadores especializados passem a considerar Moçambique não apenas como um país produtor de recursos minerais, mas também como um local onde é possível realizar directamente operações de comercialização.

A criação de confiança será, por isso, uma das principais etapas do processo.

O Governo pretende que a experiência inicial permita identificar os desafios logísticos, financeiros, regulatórios e de segurança, criando condições para que os futuros leilões sejam realizados com maior frequência.

Leilão pode gerar negócios para além das gemas

O impacto esperado não se limita à venda de pedras preciosas.

Olavo Deniasse considera que a realização de leilões internacionais no país poderá gerar efeitos positivos em vários sectores da economia, devido à chegada de compradores, investidores, especialistas e outros participantes estrangeiros.

Durante a Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), o responsável explicou que os visitantes poderão utilizar serviços de alojamento, restauração, transporte e saúde, além de conhecer diferentes destinos turísticos nacionais.

A dinâmica poderá beneficiar hotéis de alto nível, operadores de turismo, empresas de transporte, aviação, clínicas e outros prestadores de serviços.

Assim, cada leilão poderá funcionar como uma plataforma de negócios capaz de movimentar actividades económicas muito além do sector mineiro.

Moçambique procura aumentar valor dos seus recursos minerais

A realização do leilão enquadra-se numa estratégia mais ampla de valorização dos recursos minerais existentes no país.

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Em vez de concentrar a actividade apenas na extracção e exportação, o Governo procura criar condições para que uma parte maior da cadeia de valor associada aos minerais ocorra dentro de Moçambique.

A realização de leilões internacionais poderá contribuir para essa estratégia ao aproximar produtores e compradores e criar novas oportunidades para empresas nacionais ligadas à logística, transporte, segurança, hotelaria, turismo e serviços especializados.

Primeiro passo para uma nova plataforma internacional

O Governo reconhece que transformar Moçambique num centro internacional de leilões de gemas será um processo gradual.

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O primeiro certame deverá servir para testar procedimentos, avaliar a resposta dos compradores e demonstrar a capacidade do país de organizar operações internacionais com segurança e transparência.

A expectativa é que, à medida que a confiança seja consolidada, mais compradores internacionais passem a deslocar-se a Moçambique e que o número de leilões realizados no país aumente.

Para o INAMI, o objectivo final é criar uma nova fonte de receitas e actividade económica, aproveitando não apenas o valor das gemas, mas também os negócios gerados pela presença de participantes internacionais.

Se a iniciativa conseguir consolidar-se, Moçambique poderá passar de simples produtor de pedras preciosas a um importante ponto de encontro entre produtores e compradores no mercado internacional de gemas.