O Governo está a desenvolver a Vila das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) de Topuito, em Nampula, com o objectivo de fortalecer os negócios locais, estimular o agro-processamento, reduzir perdas de pescado e aproximar empresas moçambicanas das grandes cadeias de fornecimento.
A iniciativa está integrada no Parque Industrial de Topuito e é implementada através do projecto Conecta Negócios, financiado pelo Banco Mundial. A aposta é transformar a região de uma zona essencialmente dedicada à extracção de recursos minerais num espaço de produção, transformação e criação de emprego.
Kenmare abre oportunidades para empresas locais
A iniciativa pretende preparar micro, pequenas e médias empresas para responder às exigências dos grandes projectos instalados na região, incluindo a Kenmare, que movimenta cerca de 70 milhões de dólares por ano na aquisição de bens e serviços, com preferência pelo conteúdo local.
Segundo Dito Andela, especialista de infraestruturas do Conecta Negócios, a Vila das PMEs deverá funcionar como uma plataforma de formação, incubação e capacitação empresarial, permitindo que empresas locais adquiram conhecimentos e experiência prática para entrar nas cadeias de fornecimento.
Cadeia de frio para reduzir perdas de pescado e produtos agrícolas
Um dos principais investimentos será a criação de uma infraestrutura de frio para conservação e congelamento de produtos.
O projecto prevê cerca de 20 armazéns, destinados a diferentes actividades, incluindo a conservação de produtos que necessitam de refrigeração.
A estrutura deverá beneficiar directamente pescadores e agricultores, permitindo conservar a produção por mais tempo, melhorar a qualidade dos produtos e facilitar o acesso a mercados mais estruturados.
18 mil refeições por dia criam mercado para produtores
De acordo com o director-geral da Moz Parks, Honório Boane, a actividade da Kenmare representa uma oportunidade significativa para os produtores locais.
A empresa emprega mais de 6 mil trabalhadores na região e a procura associada à alimentação dos funcionários poderá atingir cerca de 18 mil refeições por dia.
Esse mercado poderá beneficiar agricultores, criadores de frango, pescadores, processadores de alimentos e outros fornecedores locais.
A estratégia pretende ainda reduzir a dependência de produtos importados e aumentar a produção local para responder à procura existente na região.
Agro-processamento pode gerar milhares de empregos
O agro-processamento é apontado como uma das áreas de maior potencial da Vila das PMEs, aproveitando a produção agrícola existente em Topuito para criar produtos com maior valor acrescentado.
A expectativa é que a combinação entre formação, infraestruturas, conservação, transformação e acesso ao mercado permita aumentar o rendimento dos produtores e criar oportunidades para empresas locais.
Segundo as projecções apresentadas, o empreendimento poderá contribuir para a criação de até 10 mil empregos directos e indirectos, abrangendo pessoas com diferentes níveis de formação.
A Vila das PMEs de Topuito surge, assim, como uma aposta na diversificação económica e no conteúdo local, procurando fazer com que parte significativa do valor gerado pelos grandes investimentos permaneça nas comunidades e empresas moçambicanas.
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