A posição foi apresentada esta sexta-feira, 18 de Setembro, pelo presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, durante a segunda edição do FUNDEC Economic Outlook, dedicada à análise dos principais desafios e perspectivas da economia moçambicana.
Segundo Vuma, Moçambique continua a enfrentar fortes necessidades de financiamento, vulnerabilidade fiscal e elevada dependência do sector extractivo, factores que colocam em debate não apenas o ritmo, mas também a qualidade e a sustentabilidade do crescimento económico.
“Estas são questões particularmente importantes num país como Moçambique, onde existem fortes necessidades de fornecimento de créditos, vulnerabilidade fiscal e uma economia ainda muito dependente do sector extractivo”, afirmou Vuma, citado pela AIM.
PIB cresce 1,74% no segundo trimestre
Dados apresentados no encontro indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,74% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, a inflação registou uma desaceleração, tendo atingido 6,45% em Agosto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Banco de Moçambique (BM).
Apesar da evolução dos preços, a FUNDEC considera necessário aprofundar o debate sobre a capacidade da economia moçambicana de gerar crescimento sustentável e com maior impacto sobre o tecido empresarial.
Entre os principais desafios apontados estão a capacidade de atrair e manter investimento, o reinvestimento, a diversificação da produção e o reforço da capacidade de exportação.
FUNDEC defende diversificação da economia
Para a organização, a dependência do sector extractivo continua a representar um dos principais desafios estruturais da economia nacional.
Neste contexto, o investimento em sectores diversificados é apresentado como uma componente importante para ampliar a base produtiva, fortalecer as empresas nacionais e reduzir a exposição da economia às oscilações de sectores específicos.
A discussão ocorre num momento em que o país procura conciliar crescimento económico, sustentabilidade das finanças públicas e melhoria das condições para o financiamento da actividade empresarial.
INTIC destaca importância da governação de dados
No mesmo encontro, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologia de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Chemane, destacou a importância da governação de dados para a confiança e sustentabilidade da economia.
“Dados sem governação não produzem confiança e sustentabilidade. Já não basta proteger os dados, é preciso governá-los, tornar os dados um recurso com capacidade de geração de valor económico”, afirmou.
Chemane defendeu que a qualidade dos dados é fundamental para a tomada de decisões e alertou que informação de baixa qualidade limita a capacidade de produzir decisões adequadas.
Segundo o responsável, o desenvolvimento tecnológico também depende da existência de competências capazes de transformar as ferramentas digitais em resultados sustentáveis para a economia.
Internet para Todos até 2030
Chemane referiu ainda que o Governo lançou, em 2025, o projecto Internet para Todos até 2030, com o objectivo de ampliar o acesso às tecnologias de informação e comunicação e reduzir a exclusão digital.
A iniciativa pretende permitir que cidadãos, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica, tenham maior acesso às tecnologias digitais.
Moçambique está actualmente ligado à rede global de Internet através de cabos submarinos de fibra óptica e possui também ligações terrestres de fibra óptica com países vizinhos, incluindo a África do Sul e Essuatíni.
Para o PCA do INTIC, o país precisa, contudo, de melhorar a qualidade, disponibilidade e interoperabilidade das infra-estruturas digitais.
“A utilização responsável dos dados exige mecanismos de protecção, partilha e segurança de dados”, sublinhou.
O debate promovido pela FUNDEC colocou assim no centro da discussão dois desafios interligados para a economia moçambicana: a necessidade de diversificar e tornar mais sustentável o crescimento económico e o aproveitamento dos dados e das tecnologias digitais como instrumentos de desenvolvimento.