Académicos e especialistas debatem inovação, sustentabilidade e os desafios da engenharia em Moçambique, com foco em energia, ambiente e infraestruturas.
Mesa-redonda destaca necessidade de soluções tecnológicas ajustadas à realidade nacional
A Universidade Politécnica promoveu uma mesa-redonda subordinada ao lema “Inovação e Sustentabilidade na Engenharia em Moçambique – Desafios e Oportunidades para o Desenvolvimento Socioeconómico Nacional”, que reuniu académicos, especialistas, profissionais e estudantes para reflectir sobre o papel da engenharia na resposta aos principais desafios do país.
O encontro analisou a importância da inovação tecnológica e da sustentabilidade na construção de soluções ajustadas às necessidades nacionais, com destaque para áreas como infraestruturas, energia, ambiente, indústria e transformação tecnológica.
A iniciativa procurou igualmente reforçar a ligação entre a academia, o sector produtivo e a sociedade, promovendo a partilha de conhecimentos e experiências sobre o contributo da engenharia para o desenvolvimento socioeconómico de Moçambique.
Academia chamada a produzir soluções para os desafios nacionais
Conforme explicou a Directora de Bibliotecas, Documentação e Publicação da Universidade Politécnica, Maria Verónica Nhamona Sitóe, a realização da mesa-redonda surgiu da necessidade de criar um espaço de diálogo e partilha de conhecimento sobre matérias consideradas determinantes para o desenvolvimento do país.
Segundo a responsável, o encontro teve também como objectivo incentivar estudantes e jovens profissionais de engenharia a encararem os desafios nacionais como oportunidades para desenvolver respostas inovadoras e sustentáveis.
“Pretendemos criar, conjuntamente, um espaço de reflexão, diálogo e partilha de conhecimento em torno de uma questão que consideramos fundamental para o desenvolvimento do nosso País, que é a inovação e a sustentabilidade na engenharia e o seu contributo para o desenvolvimento socioeconómico nacional. Queremos colocar a informação científica e o conhecimento ao serviço da reflexão sobre os desafios de Moçambique”, afirmou Maria Verónica Nhamona Sitóe.
A responsável destacou, deste modo, a importância de aproximar o conhecimento científico das necessidades concretas da sociedade, através da investigação e da formação de profissionais capazes de responder aos desafios do país.
Energia: localização de Moçambique representa oportunidade regional
Durante a mesa-redonda, a engenheira Velmide Fumbuja, cuja intervenção incidiu sobre o sector energético, apontou a localização geográfica de Moçambique e a sua ligação com os países da região como factores que podem favorecer a compra, venda e integração de energia no mercado regional.
A especialista destacou igualmente o potencial do país para explorar diferentes fontes de produção de energia, nomeadamente hídrica, solar, biomassa e gás.
Segundo Fumbuja, estas condições representam uma oportunidade para aumentar a capacidade de geração eléctrica e responder às necessidades do processo de industrialização.
“O País apresenta igualmente condições para explorar diferentes fontes de produção, com destaque para energia hídrica, solar, biomassa e gás, o que representa uma oportunidade para aumentar a capacidade de geração e responder às necessidades do processo de industrialização”, disse.
Dependência de equipamentos e tecnologias continua a ser desafio
Apesar das oportunidades existentes no sector energético, a engenheira apontou a dependência externa na aquisição de equipamentos e tecnologias utilizados na construção de centrais e infraestruturas energéticas como um dos principais constrangimentos.
A situação levanta questões sobre a necessidade de reforçar a capacidade nacional de desenvolvimento tecnológico, investigação e produção de soluções que respondam às exigências do sector.
A discussão destacou, assim, a importância de uma engenharia capaz de combinar inovação, aproveitamento dos recursos disponíveis e redução das limitações tecnológicas que condicionam o desenvolvimento das infraestruturas energéticas.
Mudanças climáticas exigem infraestruturas mais resistentes
Por sua vez, o ambientalista Carlos Serra alertou para os desafios que as mudanças climáticas colocam à engenharia, numa altura em que os fenómenos extremos se tornam mais frequentes, intensos e destrutivos.
O especialista chamou a atenção para a necessidade de reflectir sobre a capacidade das infraestruturas construídas em Moçambique de resistirem às novas condições climáticas.
A preocupação assume particular relevância num país exposto a riscos associados a cheias, ciclones e outros fenómenos extremos, que podem afectar infraestruturas, comunidades e actividades económicas.
Investigação académica deve impulsionar inovação
Para Carlos Serra, a procura de respostas aos desafios ambientais e de engenharia deve começar também no meio académico, onde a investigação pode desempenhar um papel importante na produção de conhecimento e no desenvolvimento de soluções aplicáveis à realidade nacional.
O ambientalista defendeu que os trabalhos académicos devem ir além da componente teórica e contribuir para a inovação e a resolução de problemas concretos.
“Os nossos trabalhos, as nossas monografias, devem trazer também inovação. Devem trazer, de facto, engenho. A engenharia não é um fim. É uma ferramenta, é um meio”, concluiu.
Engenharia como instrumento de desenvolvimento socioeconómico
A mesa-redonda reforçou a importância de uma engenharia orientada para as necessidades de Moçambique, capaz de responder aos desafios das infraestruturas, energia, ambiente e industrialização.
A iniciativa da Universidade Politécnica destacou ainda o papel da formação, da investigação científica e da colaboração entre instituições de ensino, profissionais e sector produtivo na construção de soluções inovadoras e sustentáveis.
Universidade Politécnica – informações sobre a mesa-redonda de inovação e sustentabilidade na engenharia.
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