FLEC-FAC proclama nova independĂȘncia de Cabinda e pede reconhecimento internacional

 A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC-FAC) proclamou, no dia 2 de Fevereiro de 2026, a independĂȘncia da autodenominada RepĂșblica de Cabinda, a partir de uma base localizada na floresta do Maiombe.

Na declaração, o movimento classificou como “territĂłrios livres” as zonas que afirma controlar, numa nova proclamação unilateral que volta a colocar o enclave no centro do debate polĂ­tico e social, 49 anos apĂłs a primeira declaração feita em 1975, durante o processo de descolonização portuguesa.

Segundo um comunicado divulgado pela prĂłpria FLEC-FAC e assinado pelo secretĂĄrio-geral Jacinto AntĂłnio TĂ©lica, em nome de um alegado Governo ProvisĂłrio, o apelo Ă© dirigido ao povo de Cabinda, Ă  comunidade internacional e “aos povos e naçÔes do mundo”.

A proclamação foi feita no ùmbito da evocação dos 141 anos do Tratado de Simulambuco, celebrado a 1 de Fevereiro de 1885, documento que os movimentos independentistas cabindeses invocam como fundamento histórico e jurídico para a autodeterminação do território.

No texto, a FLEC-FAC solicita o reconhecimento da independĂȘncia Ă s NaçÔes Unidas, Ă  UniĂŁo Africana, Ă  UniĂŁo Europeia, Ă  Comunidade dos PaĂ­ses de LĂ­ngua Portuguesa (CPLP) e a organizaçÔes internacionais de defesa dos direitos humanos, apelando igualmente Ă  mediação internacional para a resolução do diferendo com o Estado angolano.

O comunicado refere ainda que a proclamação ocorre num momento em que o Presidente da RepĂșblica de Angola, JoĂŁo Lourenço, se encontra no Dubai, Emirados Árabes Unidos, para participar na Cimeira Mundial de Governos, agendada para os dias 3 a 5 de Fevereiro.

O Governo angolano considera Cabinda parte integrante e indivisĂ­vel do territĂłrio nacional, posição reiterada desde a independĂȘncia de Angola, em 1975. Apesar de perĂ­odos de menor intensidade, o conflito em torno do enclave tem registado episĂłdios esporĂĄdicos de tensĂŁo, mantendo-se como uma das questĂ”es polĂ­ticas mais sensĂ­veis do paĂ­s.

Até ao momento, não houve reacção oficial das autoridades angolanas nem de organizaçÔes internacionais à proclamação anunciada pela FLEC-FAC.

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