Os preços internacionais do petróleo e do gás natural registam fortes subidas esta terça-feira, impulsionados pela intensificação da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão e pelo alastramento do conflito a outras zonas do Médio Oriente.

Na manhã desta terça-feira (03), o barril de Brent chegou a valorizar 9,5%, para 85,12 dólares, ultrapassando este nível pela primeira vez desde Julho de 2014, enquanto o crude norte-americano West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 8,9%, para 77,58 dólares. Já os contratos futuros do gás natural europeu, negociados em Amesterdão, dispararam até 47,5% na sessão, fixando-se nos 65,665 euros por megawatt-hora, acumulando uma subida superior a 60% desde o final da semana passada.

A principal pressão sobre os mercados resulta do anúncio de Teerão sobre o encerramento do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas do mundo, por onde circula cerca de um quinto do petróleo e do gás produzidos globalmente. Apesar de as autoridades norte-americanas terem posteriormente rejeitado a informação, várias embarcações estão a evitar a passagem pelo estreito, face ao risco de ataques militares. Um conselheiro da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão chegou a afirmar que qualquer navio que tente atravessar a via poderá ser atacado.

O agravamento da tensão coincide ainda com perturbações significativas na produção regional. A Saudi Aramco suspendeu as operações na refinaria de Ras Tanura após um ataque com drones, enquanto o Qatar, segundo maior exportador mundial de gás, encerrou a produção na maior unidade de exportação de gás natural liquefeito do mundo, responsável por cerca de um quinto da oferta global de GNL, depois de um ataque atribuído ao Irão.

Analistas do JP Morgan consideram que, apesar da forte escalada do conflito e da proximidade com infra-estruturas energéticas, uma parte significativa do risco já se encontra incorporada nos preços. Ainda assim, o impacto começa a refletir-se nos custos de transporte: o frete de petróleo do Médio Oriente para a China atingiu um máximo histórico, segundo dados da Baltic Exchange.

A China, maior importador mundial de crude, apelou ao cessar-fogo imediato e à garantia de passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz. Paralelamente, a casa de investimento Bernstein reviu em alta a sua previsão para o preço do Brent em 2026, de 65 para 80 dólares por barril, admitindo que, num cenário extremo de prolongamento do conflito, os preços possam atingir a faixa entre 120 e 150 dólares.