Moçambique registou uma queda acentuada no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025, ao perder quatro pontos em relação ao ano anterior, passando de 25 para 21 pontos, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela Transparência Internacional e consultados pelo MZNews.
O resultado coloca o país entre os Estados com níveis considerados alarmantes de corrupção no sector público.
De acordo com o relatório, a pontuação de Moçambique em 2025 representa uma das mais baixas da última década, confirmando uma tendência prolongada de fragilidade no combate à corrupção.
Em 2024, o país havia registado 25 pontos, mas em 2025 recuou para 21. Uma descida semelhante foi observada entre 2015 e 2016, quando a pontuação caiu de 31 para 27 pontos.
Segundo as análises da Transparência Internacional, a fasquia considerada como um nível moderado de corrupção situa-se acima dos 50 pontos. No entanto, os dados históricos demonstram que Moçambique nunca ultrapassou os 31 pontos desde que o índice começou a ser publicado no país, em 2012.
Os melhores desempenhos ocorreram nos anos de 2012, 2014 e 2015, quando o país atingiu exactamente 31 pontos.
Quedas sucessivas desde 2015
O relatório evidencia que, desde 2015 — ano da inauguração do primeiro mandato presidencial de Filipe Nyusi —, Moçambique passou a registar uma trajectória de quedas sucessivas no Índice de Percepção da Corrupção, apesar da implementação de políticas e discursos oficiais de combate à corrupção.
Durante o primeiro mandato de Filipe Nyusi, entre 2015 e 2019, a pontuação do país caiu cinco pontos, passando de 31 para 26.
No segundo mandato, iniciado em 2020, o desempenho manteve-se praticamente estagnado. O país iniciou o ciclo com 25 pontos e encerrou o ano de 2024 com a mesma pontuação.
Ao longo deste período, registou-se apenas uma ligeira subida para 26 pontos em 2021, valor que se manteve em 2022, tendo voltado a cair em 2023.
Ainda assim, o Barómetro Global da Corrupção adverte que pequenas flutuações anuais na pontuação do IPC não devem ser interpretadas, isoladamente, como mudanças estruturais significativas.
Sinais de fragilidade no combate à corrupção
Para a Transparência Internacional, a descida agora observada reflecte a persistência de dificuldades estruturais e a insuficiência dos mecanismos existentes para prevenir, combater e erradicar a corrupção no país.
O Índice de Percepção da Corrupção mede o nível percebido de corrupção no sector público numa escala de 0 a 100, em que:
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0 representa um país altamente corrupto;
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100 corresponde a um país considerado muito íntegro.
O indicador avalia, entre outros aspectos, a ocorrência e o ambiente propício a práticas como:
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subornos e pagamentos ilícitos;
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desvio de fundos públicos;
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uso de cargos públicos para obtenção de ganhos pessoais sem responsabilização;
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capacidade dos governos de conter a corrupção no sector público;
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captura do Estado por interesses privados restritos;
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existência de protecção legal para denunciantes de corrupção;
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acesso à informação pública e transparência governamental;
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nomeações nepotistas no serviço público;
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excesso de burocracia administrativa.
Nota sobre a imagem
A imagem de destaque que acompanha a publicação retrata o momento em que o Presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique, flagrou um agente da Polícia Municipal a receber uma quantia de dinheiro, alegadamente exigida como suborno a um operador de transporte semi-colectivo de passageiros, num episódio ocorrido em 2025.

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