O Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) confirmou oficialmente, na manhã desta sexta-feira, a morte do empresário italiano Humberto Sartori Vidock, proprietário do complexo Kaya Kwanga, que se encontrava detido no Estabelecimento Penitenciário Especial de Máxima Segurança da Machava, conhecido por BO.

De acordo com um comunicado divulgado pela Direcção-Geral do SERNAP, Sartori foi encontrado sem vida por volta das 08h30 durante o processo de rendição da guarda prisional. As autoridades indicam que o corpo do empresário foi encontrado estendido no soalho da cela, já sem sinais vitais.

Após a descoberta, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deslocou-se ao local para efectuar a inspecção e validar oficialmente o óbito do empresário, que estava detido desde o dia 21 de Abril, acusado de crimes ligados ao tráfico de drogas e branqueamento de capitais.

No comunicado, o SERNAP revelou ainda que Humberto Sartori recusava alimentar-se voluntariamente desde a sua entrada no estabelecimento penitenciário, numa alegada greve de fome que já era do conhecimento da família, do advogado e do médico particular do detido. Segundo as autoridades prisionais, a situação foi reportada logo após terem sido observados os primeiros sinais da recusa alimentar.

O empresário era apontado como uma figura central em investigações relacionadas com fraude fiscal, falsificação de documentos e outros crimes conexos. A sua morte acontece num contexto de forte atenção pública e mediática em torno das operações de combate ao crime organizado em Moçambique.

Com a confirmação oficial do falecimento, as atenções concentram-se agora nos exames forenses e nas perícias técnicas conduzidas pelas autoridades, que deverão determinar as causas exactas da morte e avaliar o possível impacto da prolongada falta de alimentação no estado de saúde do empresário.

O Governo, através do SERNAP, endereçou condolências à família de Humberto Sartori e garantiu colaboração total com as autoridades responsáveis pelas investigações em curso.

A morte do empresário encerra um dos casos mais mediáticos ligados às recentes operações contra o crime organizado no país, mas também levanta novas questões sobre as condições de detenção e o acompanhamento de reclusos considerados de alto perfil no sistema penitenciário moçambicano.