A província de Manica, no centro de Moçambique, registou a apreensão e incineração de cerca de uma tonelada de semente de milho falsa durante o primeiro semestre de 2026. A mercadoria ilegal estava a ser comercializada de forma fraudulenta em diversos pontos da província, ameaçando o rendimento dos produtores locais e a segurança alimentar da região.

Os dados foram avançados por Agostinho Robate, porta-voz do Conselho dos Serviços Provinciais de Representação de Estado (CSPRE).

Fiscalização Rigorosa Rejeita dezenas de Hectares de Cultivo

No âmbito das acções de controlo de qualidade, as autoridades do sector inspeccionaram mais de mil hectares de diversas culturas (de um plano global de cerca de três mil hectares reservados para a produção de sementes).

Como resultado desta fiscalização:

  • 57,7 hectares foram totalmente rejeitados por não cumprirem com as exigências e padrões de qualidade definidos pelo Laboratório Regional de Sementes de Chimoio.

Projeções para a Campanha Agrícola 2026-2027 e o Grave Défice de Sementes

Apesar do golpe contra o mercado ilegal, a província de Manica perspectiva um crescimento no sector. Para a campanha agrícola 2026-2027, estima-se a produção de 8 483,9 toneladas de diversas culturas, o que representa um aumento de 7,43% em comparação com as 6 355,5 toneladas alcançadas na época anterior (2025-2026).

Até ao momento, o balanço de sementes certificadas situa-se em 2 222,95 toneladas (cerca de 33% da meta planificada), com destaque para:

  • Milho: 2 058,45 toneladas;

  • Feijões: 160 toneladas;

  • Gergelim: 4,5 toneladas.

O Fantasma do Défice de Sementes

O grande entrave ao pleno desenvolvimento agrícola de Manica é a escassez de insumos. Para se ter uma dimensão do problema, as necessidades da província estavam estimadas em 34 309 toneladas de sementes, mas o ciclo iniciou com um défice dramático de 30 193 toneladas, comprometendo severamente o potencial de produção e produtividade dos agricultores.

Desafios no Combate à Semente Falsa e Próximos Passos

De acordo com Agostinho Robate, o combate ao mercado negro de sementes e a melhoria da produção enfrentam barreiras operacionais graves no terreno:

  1. Falta de Recursos Financeiros: O laboratório de controlo de qualidade de Chimoio opera com fundos insuficientes.

  2. Limitação Logística: Há falta de meios circulantes (viaturas e motos) para alargar o raio de fiscalização.

  3. Recursos Humanos Escassos: O número de técnicos disponíveis para acompanhar os produtores é reduzido.

Como solução de longo prazo, o porta-voz defende que a prioridade deve centrar-se na capacitação dos camponeses para que consigam identificar e conservar sementes certificadas, além de impulsionar a capacidade das empresas produtoras licenciadas para que a oferta legal consiga finalmente cobrir a procura.