Relatório da OIM confirma que mais de 770 pessoas abandonaram as suas aldeias em menos de dez dias após movimentações terroristas em zonas agrícolas.

O distrito de Nangade, no norte de Cabo Delgado, volta a ser palco de instabilidade. Entre os dias 17 e 25 de Abril, a retoma das incursões armadas forçou o deslocamento de centenas de civis, que fogem do clima de insegurança e da presença de grupos terroristas nas suas comunidades.

Os Números da Emergência:

  • Vítimas da Deslocação: Pelo menos 776 pessoas, incluindo homens, mulheres e muitas crianças, foram obrigadas a abandonar tudo o que tinham.

  • Aldeias Afetadas: Os residentes fugiram das comunidades de Machava, Samora Machel, Muangaza e Nkonga, procurando abrigo na localidade de Mualela e noutras áreas consideradas mais seguras do distrito.

  • Modus Operandi: Relatos locais indicam que os insurgentes têm focado as suas ações em saques de produtos alimentares nas machambas (campos agrícolas), especialmente nas zonas de Lijungo e Nkonga. Embora não tenham sido reportados episódios de violência física extrema neste último fim-de-semana, o medo da presença dos grupos armados paralisou as atividades agrícolas.

Resposta de Segurança:

Apesar da presença das Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique e do contingente das Forças Armadas da Tanzânia — que operam na região sob o acordo de cooperação bilateral — a circulação de terroristas tem sido constante nas últimas duas semanas.

O relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) destaca a fragilidade da situação humanitária nestas aldeias, onde a sobrevivência das famílias está agora dependente de assistência urgente após a perda dos seus meios de subsistência.