Funcionário público nas malhas do SERNIC
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) confirmou a detenção, nesta segunda-feira, 22 de Junho, de um funcionário das Alfândegas de Moçambique. O agente é indiciado por envolvimento direto no escândalo da apreensão recorde de 3,7 toneladas de fentanil no Aeroporto Internacional de Maputo. A captura ocorreu sob forte aparato e em cumprimento de um mandado judicial, após as investigações demonstrarem ligações sólidas do suspeito à rede de narcotráfico.
Quatro detidos e suspeitos a confessar
Com a detenção deste funcionário aduaneiro, subiu para quatro o número de arguidos presos no âmbito do Processo-crime nº 71/2026/SERNIC. O grupo criminoso é atualmente composto por:
3 cidadãos moçambicanos (incluindo o agente aduaneiro);
1 cidadão de nacionalidade nigeriana.
O SERNIC revelou ainda que dois dos suspeitos já se encontram em regime de confissão, ajudando as autoridades a desmontar o esquema. Foram também realizadas buscas domiciliárias nas propriedades do funcionário detido para consolidar as provas sobre como a droga entrou em território nacional.
Autoridade Tributária lava as mãos
Esta detenção surge no meio de uma enorme tempestade e debate público. A Autoridade Tributária (AT) demarcou-se rapidamente de qualquer conivência institucional, defendendo que a própria identificação inicial da mercadoria clandestina foi fruto do trabalho das suas equipas de fiscalização. A instituição defende que falhas e crimes aduaneiros devem ser imputados de forma estritamente individual:
"Atos isolados de corrupção ou facilitação aduaneira não refletem a missão da instituição."
Droga vai para a fogueira
Por se tratar de uma substância altamente perigosa (um opioide sintético letal), o SERNIC informou que já decorrem os trâmites legais e obrigatórios junto dos tribunais para obter a autorização necessária para proceder à incineração célere de todas as 3,7 toneladas de fentanil apreendidas.
O Desdobramento: A entrada de um funcionário público na lista de detidos confirma os receios da sociedade civil sobre a infiltração do crime organizado transnacional nas instituições de fiscalização do Estado moçambicano.

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