O conflito armado no norte de Moçambique atingiu a trágica marca de 6.632 mortos desde o seu início, em 2017. Nos últimos meses, os grupos insurgentes expandiram as suas ações para áreas anteriormente consideradas seguras. No distrito de Chiúre, o pânico instalou-se após os extremistas terem reivindicado a decapitação de pelo menos três cristãos em incidentes separados.

Apenas durante o mês de Maio, as Nações Unidas estimam que as incursões terroristas resultaram em:

  • 28 mortos

  • 49 raptados

 Caos humanitário e escolas fechadas

As recentes incursões armadas continuam a concentrar-se nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Nangade. O fluxo contínuo de deslocados fez com que o Centro de Trânsito de Namissir (em Chiúre) ficasse superlotado, albergando mais de 5.000 famílias que aguardam por assistência básica de saúde, alimentação e abrigo.

Além disso, o encerramento forçado de dezenas de escolas devido à instabilidade militar ameaça comprometer o ano letivo e o futuro de uma geração inteira.

 O drama das crianças soldado e os traumas na mata

As autoridades moçambicanas manifestaram profunda preocupação com o recrutamento forçado de menores por parte dos insurgentes. Kiriliana Alberto, Diretora Provincial do Género, Criança e Acção Social em Cabo Delgado, confirmou que as redes de proteção estão cientes de que os menores raptados enfrentam traumas psicológicos e sociais severos no cativeiro.

As diretrizes institucionais exigem que, após o resgate, estas crianças sejam tratadas estritamente como vítimas inocentes de violações dos direitos humanos, evitando qualquer tipo de discriminação ou estigmatização para facilitar a sua reinserção social.

 Governo cria protocolo de emergência

Como resposta imediata a esta crise, a Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, anunciou que o Governo está na fase final de elaboração de um protocolo nacional de entrega e encaminhamento de crianças associadas a conflitos armados.

Este novo instrumento jurídico e operacional terá como pilares:

  • Padronizar os procedimentos de identificação dos menores;

  • Prestar assistência psicológica direcionada ao trauma;

  • Garantir uma reunificação familiar rápida, humanizada e coordenada com os parceiros internacionais.

 Linha de Frente: Com o conflito a demonstrar uma perigosa tendência de expansão geográfica, o novo protocolo corre contra o tempo para blindar a infância sobrevivente e tentar travar as sequelas psicológicas da guerra na província.