Apenas durante o mês de Maio, as Nações Unidas estimam que as incursões terroristas resultaram em:
28 mortos
49 raptados
Caos humanitário e escolas fechadas
As recentes incursões armadas continuam a concentrar-se nos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Nangade. O fluxo contínuo de deslocados fez com que o Centro de Trânsito de Namissir (em Chiúre) ficasse superlotado, albergando mais de 5.000 famílias que aguardam por assistência básica de saúde, alimentação e abrigo.
Além disso, o encerramento forçado de dezenas de escolas devido à instabilidade militar ameaça comprometer o ano letivo e o futuro de uma geração inteira.
O drama das crianças soldado e os traumas na mata
As autoridades moçambicanas manifestaram profunda preocupação com o recrutamento forçado de menores por parte dos insurgentes. Kiriliana Alberto, Diretora Provincial do Género, Criança e Acção Social em Cabo Delgado, confirmou que as redes de proteção estão cientes de que os menores raptados enfrentam traumas psicológicos e sociais severos no cativeiro.
As diretrizes institucionais exigem que, após o resgate, estas crianças sejam tratadas estritamente como vítimas inocentes de violações dos direitos humanos, evitando qualquer tipo de discriminação ou estigmatização para facilitar a sua reinserção social.
Governo cria protocolo de emergência
Como resposta imediata a esta crise, a Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, anunciou que o Governo está na fase final de elaboração de um protocolo nacional de entrega e encaminhamento de crianças associadas a conflitos armados.
Este novo instrumento jurídico e operacional terá como pilares:
Padronizar os procedimentos de identificação dos menores;
Prestar assistência psicológica direcionada ao trauma;
Garantir uma reunificação familiar rápida, humanizada e coordenada com os parceiros internacionais.
Linha de Frente: Com o conflito a demonstrar uma perigosa tendência de expansão geográfica, o novo protocolo corre contra o tempo para blindar a infância sobrevivente e tentar travar as sequelas psicológicas da guerra na província.

Postar um comentário
Postar um comentário